domingo, 24 de abril de 2011
Texto estranhamente feliz se comprado com a maioria depressiva que eu escrevo
Til finalmente havia chegado.
Foi a primeira pessoa a conseguir chegar lá com vida, no topo do topo da mais alta montanha.
De lá, encontar os Anciãos não foi difícil: A barba d'Ele se espalhava por quase todo o território.
Ao fundo podia se ver as suas silhuetas, sentados num daqueles balanços antigos, basicamente um banco de praça preso por correntes a uma haste horizontal. Tanto Ele quanto Ela, tão antigos que dizia-se terem fabricado o próprio tempo, não esconderam a surpresa ao ver que finalmente um peregrino havia demostrado seu valor e os encontrado. De acordo com a profecia, o peregrino poderia lhes fazer uma pergunta e uma pergunta apenas, para receber a mais sábia das respostas.
Til não conseguira se decidir até então: " Qual o sentido da vida? Existe punição eterna após a morte? Quais os numeros da sena pelos proximos 5 anos?" Porém ao ver o casal de Anciãos, tão pequenos e enrugados, mais velhos que a própria existência, Til ouviu a própria voz perguntar:
-Como vocês conseguiram ficar juntos tanto tempo?
Os Dois riram gostosamente e Ela disse:
-Mas jovem, nós nunca dissemos que passamos todo esse tempo juntos...
Ele explicou:
-Somos apenas dois velhos, nossa memória já é fraca. Nós brigamos, nos separamos, e alguns seculos depois já nem sequer conseguimos lembrar o motivo da briga. A raiva dá lugar a saudade e voltamos s ficar juntos.
Ela complementou:
-E sabe o que é interessante? Conforme vão passando as eras, nosso tempo separado é cada vez menos, e o tempo junto, cada vez maior...
-Ora, mas se vocês são capazes de lembrar exatamente quanto tempo ficaram brigados e quanto ficaram juntos, porquê não lembram as causas da separação em primeiro lugar?
Ele trocou um olhar cúmplice com Ela e, quebrando o protocolo, respondeu:
-É simples meu filho: Há certas coisas que prefermos esquecer...
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